08 de Março: dia de luta das mulheres trabalhadoras

8 DE MARÇO

Um dia de lutas das mulheres trabalhadoras

Para pensarmos no dia 8 de março e seu real sentido na história, precisamos alertá-las sobre alguns aspectos. O primeiro é o de que como quase tudo, que consegue ter força para ultrapassar a barreira do capitalismo e questioná-lo, pode ao fim ser apropriado incorporado pelo próprio sistema para que perca seu significado real, assim ocorreu com o 8 de março.

Apesar da origem deste dia estar muito distante da institucionalidade\oficialidade, a ideia de que o seu sentido é muitas vezes distorcido  pela mídia burguesa e reproduzido de forma  errônea pelo  senso comum nos remete  a tarefa de disputar o contudo  de “dia de todas as mulheres”, ou o dia do “viva, as mulheres existem e hoje merecem flores e bombons!” pelo dia de luta das mulheres trabalhadoras por seus direitos.

A história que as instituições e organizações burguesas fizeram questão de minimizar é a da sua origem estar ligada ao processo das lutas das mulheres trabalhadoras de vários países, principalmente das operárias das indústrias têxteis, durante os séculos XIX e XX, no auge da chamada Revolução Industrial.

Estamos tratando das primeiras grandes greves da classe trabalhadora que expressavam a reação do povo contra a exploração capitalista e que eram enfrentadas com uma violência desproporcional pelos patrões e o Estado, como ainda são hoje em dia. Estes acontecimentos somaram-se a pauta de reivindicação pelo direito ao voto feminino nas primeiras décadas do século XX em todo mundo.

Vários acontecimentos marcantes fazem parte desse processo e até curiosamente se fundiram na mesma história pela tradição de reivindicar a trajetória de lutas das trabalhadoras fabris daquele período. Em 8 de março de 1857, tecelãs de Nova York realizaram uma marcha por melhores condições de trabalho, diminuição da carga horária e igualdade de direitos.

Na época, a jornada de trabalho feminino chegava a 16 horas diárias, com salários até 60% menores que os dos homens, um cotidiano marcado por agressões físicas e sexuais, além da necessidade de levar @s filh@s para a fábrica, o que facilitava a exploração das crianças para as subfunções nas tecelagens.

Vários protestos se seguiram nos 8 de março evidenciando o início de uma tradição das trabalhadoras para que a luta das mulheres não fosse esquecida.

Em 1909, 15 mil operárias protestaram por seus direitos novamente nos EUA em várias cidades organizadas pelo partido socialista. Em 1910, na Segunda Conferência Internacional das Mulheres Socialistas – organizada pela 2ª Internacional – na Dinamarca, a alemã Clara Zetkin propôs que a data fosse usada para comemorar as greves americanas e homenagear a luta mulheres de todo o mundo.

A greve das trabalhadoras de Petrogrado (atual São Petersburgo), na Rússia, em 23 de fevereiro de 1917 (8 de março no calendário ocidental), também foi um marco. Certamente a greve de mulheres foi um impulso importantíssimo para que ocorresse a Revolução de fevereiro.

Ou seja, a tradição de relembrar a data e internacionalizá-la está ligada às trabalhadoras, algo que hoje precisa ser disputado pois ao longo do tempo os Estados capitalistas e suas instituições foram se apropriado da data com o pretexto de reconhecê-la, ou ainda, de reconhecer as mulheres como cidadãs.

A certeza que deve estar no nosso horizonte é que o capitalismo não abre concessão, a não ser para desconstituir aquilo que possa fortalecer a classe trabalhadora. As mulheres são a maioria da classe trabalhadora, logo podemos afirmar que ou a revolução será feminista classista ou não será. Desconstituir o verdadeiro sentido desta data é enfraquecer as lutas da classe.

Vivemos tempos muito difíceis. O agravamento da pandemia não nos permitirá ocupar as ruas em 2.021. Contudo, a luta das mulheres, que  são responsabilizadas pelo cuidado com a vida da classe trabalhadora no mundo todo, se faz ainda mais necessária‼️ Além do aumento da sobrecarga de trabalho para as mulheres durante a pandemia, Bolsonaro, governadores e prefeitos, atacam todo serviço público e principalmente o SUS, onde a maioria d@s usuári@s e d@s trabalhador@s são mulheres.

É preciso fortalecer nossa organização e resistência! Senão nos deixam sonhar, não os deixaremos dormir. Nossa vitória é a Luta! Porque só ela muda a vida!

Mulheres, uni-os para derrotar Bolsonaro e seu governo genocida!

Façamos do 8 de março o dia das mulheres trabalhadoras!

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