Após integrar vistoria no Instituto Psiquiátrico Forense (IPF), Sindsepe-RS denuncia vencimentos básicos inferiores ao salário mínimo e a falta de profissionais na instituição

Na última segunda-feira (22), o Sindicato dos Servidores Públicos do estado do Rio Grande do Sul, SINDSEPE/RS, através de seu vice-presidente, Rogério Viana, participou de uma vistoria nas dependências do Instituto Psiquiátrico Forense (IPF), em Porto Alegre – RS, em conjunto com as demais entidades representativas dos segmentos dos trabalhadores da área como o Conselho Regional de Medicina (CREMERS), o Conselho Regional de Psicologia (CRP/RS), o Conselho Regional de Enfermagem (COREN/RS) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RS). A vistoria foi realizada a pedido dos deputados estaduais Jeferson Fernandes (PT) e Dr. Thiago Duarte (DEM), que coordenaram as examinações nas dependências do local. Ambos os deputados integram a Comissão de Segurança e Serviços Públicos (CSSP) da Assembleia Legislativa do estado do RS.  

Após uma longa conversa com os profissionais da casa e após uma vasta exploração de todas as unidades da instituição, as entidades evidenciaram a falta de profissionais nas áreas da saúde como: médicos(as), enfermeiros e enfermeiras, técnicos de enfermagem, psicólogos(as), assistentes sociais e terapêutas ocupacionais. Servidores da casa citaram o caso de que, ao ingressarem no quadro de pessoal do estabelecimento médico-penal, o instituto contava com até 40 profissionais médicos, hoje, são apenas três que realizam o atendimento a 191 detentos com problemas psiquiátricos. No que se refere aos auxiliares de enfermagem, os dados demonstram que o instituto conta com apenas treze profissionais deste segmento, obrigados a se revezar de dois em dois por plantão de assistência em cada unidade. Alguns destes profissionais, inclusive, operam com desvio de função. 

O deputado Jeferson Fernandes (PT) caracterizou a situação dos recursos humanos do IPF como um caos e prometeu fazer uma denúncia formal sobre o grave caso vivenciado por estes(as) trabalhadores(as). “Não é possível admitir que três profissionais da medicina atendam quase 200 pacientes, ao mesmo tempo que duas auxiliares de enfermagem, que já ganham uma miséria, ou seja, vencimentos básicos inferiores ao salário mínimo, não possam contar com mais apoio no exercício de suas atividades”, indagou. De acordo com o deputado, outro fator que precisa de atenção é a ociosidade vivida pelos pacientes que estão liberados para circularem nos domínios do instituto. “Os(as) pacientes no pátio sem atividades que possam ocupar suas mentes é um dilema que precisa ser resolvido, mas para isto também é necessário mais recursos humanos.”, ressaltou. 

De acordo com o vice-presidente do SINDSEPE/RS, Rogério Viana, é necessário fazer com que o Estado ouça e receba todas as demandas discutidas na comitiva desta segunda-feira (22). “Está confirmado tudo o que nós falamos anteriormente, tanto através de documento, como através do que vocês viram hoje aqui. Essas demandas precisam ser resolvidas para ontem!”, destacou. De acordo com o sindicalista, o fato dos profissionais estarem adoecendo em razão do desconto salarial não é uma novidade. “Alguns profissionais, inclusive, morreram aguardando os 40% de insalubridade. Isso é uma humilhação!”, descreveu o diretor. Viana recordou ainda que tanto as refeições realizadas pelos(as) servidores(as) dentro da instituição, quanto a escala de 24h, vieram para auxiliar estes profissionais, dadas as duras condições financeiras enfrentadas por eles lá fora. “Por que com 727 reais de básico, e o salário chegando até no máximo 1300 reais, é duro demais pagar uma passagem de ônibus todos os dias pra vir trabalhar aqui, não é mesmo?”, questionou.

Ao final da vistoria técnica, ficou combinada a elaboração de um documento com denúncias e resoluções, que será futuramente apresentado tanto à Assembleia Legislativa, quanto ao poder executivo e judiciário, se necessário. A nota em questão será elaborada de forma conjunta pelas entidades representativas presentes na comitiva.

Fotos: Iury Casartelli

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *