Brasil deve chegar na triste marca dos 100 mil mortos neste sábado; SINDSEPE/RS denunciando descaso dos governos em nota pública

No dia 26 de fevereiro de 2020, o Brasil registrou o primeiro caso de Covid-19 em todo o território nacional. Um homem de 61 anos infectado deu entrada no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, com histórico de viagens pela Itália, região da Lombardia. Um mês depois, o Brasil já possuía 2.915 infecções e 77 mortes pela doença. 

Durante este período, as primeiras bravatas, afirmações negacionistas e falsas curas milagrosas promulgadas pelo Presidente da República começaram a vir à tona. Durante uma viagem aos Estados Unidos em março, Bolsonaro afirmou que a imprensa estava “superdimensionando o poder destruidor do vírus”. Pois bem, no mês seguinte, a progressão assustadora dos números da Covid-19, divulgada pelo Ministério da Saúde, já demonstrava que o Brasil contava com mais de 1.888 infectados e 4.205 mortos pela nova doença. Quando questionado pelos jornalistas, o presidente da República respondia: “Cara, eu não sou coveiro, tá?”. 

Seguindo uma estratégia supostamente diferente, e tentando se distanciar do Governo Federal no que se refere à pandemia, ainda no mês de março, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB) suspendeu as aulas, anunciou o fechamento do comércio, proibiu o transporte interestadual, interditou praias gaúchas e, em contraponto a Bolsonaro, afirmou que “primeiro protege-se a vida e depois os empregos”. Não foi necessário muito tempo para que a verdade viesse à tona e que a política genocida que estava sendo verdadeiramente implementada no RS fosse escancarada como sendo a mesma que a de Jair Bolsonaro.

Fracasso do distanciamento controlado

No mês de abril, Leite apresentou o famigerado ‘modelo de distanciamento controlado’, um misto de negligência sanitária e controle precário sobre a pandemia nos municípios. Na ocasião, o Conselho Estadual de Saúde do Rio Grande do Sul definiu o modelo como um dos “[…] subterfúgios, de caráter pseudocientífico, para apresentar uma realidade de segurança ilusória, ao permitir a reabertura dos mais variados setores econômicos sem alarde”. Em maio, após forte pressão dos prefeitos, o governo chegou ao cúmulo de contar apenas casos de pacientes internados(as) pela Covid-19 para definir as cores das bandeiras de risco, passando a desconsiderar os resultados de testes moleculares (RT-PCR). Um verdadeiro escândalo ainda que dentro do próprio modelo!

No plano econômico e social, durante a pandemia, a política aplicada por Leite tem sido uma continuidade do desmonte iniciado por Sartori e representada nacionalmente por Bolsonaro, a quem ajudou a eleger, não se arrependendo do voto nos dois turnos, e com o qual se alinha no fundamental de sua política econômica. 

O Sindicato dos Servidores Públicos do Estado do Rio Grande do Sul, SINDSEPE/RS, vem denunciando o descaso dos governos com a vida dos brasileiros e brasileiras, desde a fase pré-pandemia. São milhares de servidores e servidoras da saúde trabalhando sem Equipamento de Proteção Individual (EPI), sem testagem e, aqui no estado, com salários atrasados, com descontos de greve e parcelados em meio à pandemia. 

Várias caras, a mesma política

Em Porto Alegre, a situação não era muito diferente. Em junho, mesmo ciente de que a cidade havia batido recorde de infectados, ou seja, deu um salto de 38% em uma semana e chegou ao número de 62 pessoas em Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) pela Covid-19, o prefeito Nelson Marchezan (PSDB) também decidiu manter uma perigosa flexibilização das restrições, a partir da manutenção do Decreto nº 20.534, outorgado em março de 2020. A conta da irresponsabilidade, tanto em nível estadual quanto municipal, tardou, mas acabou chegando em julho: a Covid-19 chegou a 90% das cidades do RS. No mesmo mês, Porto Alegre bateu quase 270 óbitos. Os dados são da Secretaria Estadual da Saúde (SES/RS).

Enquanto Leite aparecia em rede nacional insistindo na mentira de que preocupava-se com vidas, o Rio Grande do Sul batia recorde de mortes, e cada vez mais ficava evidente que, na verdade, ele comandava nos bastidores uma política tão genocida quanto a de Bolsonaro. O Brasil iniciou o mês de Maio com mais de 5 mil mortos e fechou o mesmo mês com quase 30 mil. 

A prova desta política está posta quando o Tribunal de Contas da União (TCU) revelou na semana passada que o Ministério da Saúde gastou menos de um terço da verba destinada para combater a pandemia, ou seja, reteve recursos que poderiam ter salvado muitas vidas, mas que acabaram não saindo dos cofres públicos.

A situação é seríssima! Só na capital, ontem (05), Porto Alegre registrou outro recorde alarmante: mais de 324 pessoas diagnosticadas com Covid-19 foram registradas em leitos de UTIs na cidade. Entre 01 e 02 de agosto, 319 pessoas com o diagnóstico da doença também foram internadas nas principais UTIs da Capital. 

Estamos chegando às 100 mil mortes

De acordo com o consórcio das secretarias de saúde e dos veículos de imprensa, o Rio Grande do Sul é um dos oito estados que mais crescem na média de mortos por dia e atualmente só perde no ranking para os estados de Bahia e Minas Gerais. A situação no RS só piora a cada dia! No Brasil, estamos prestes a alcançar a triste marca de 100 mil mortes pelo novo coronavírus, inaugurando uma das fases mais graves, delicadas e preocupantes da nação brasileira.

E o que fazem os governos? Colocam os lucros acima das vidas, não garantem o atendimento à saúde dos mais pobres, nem a renda mínima para que as famílias possam se sustentar e fazer o devido isolamento social. Para completar, continuam atacando os direitos da classe trabalhadora e o serviço público. Como ainda não é possível ocupar as ruas, devemos nos mobilizar fortemente com plenárias e atos virtuais, buscando construir a mais ampla unidade de ação em defesa da vida e a manutenção do isolamento social; pela manutenção dos empregos sem redução de salários; pela renda mínima aos desempregados, contra as privatização; em defesa do serviço público e dos(as) servidores(as); pela manutenção das escolas fechadas e pelo #ForaBolsonaro! 

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