Com ocupação de 90% dos leitos de UTI, Porto Alegre discute o fechamento da cidade

Para Alcides Miranda, além dos problemas da própria capital, aumenta o risco de colapso por conta das cidades próximas

via Brasil de Fato – RS

Com 90,3 % dos leitos de UTI ocupados, mas sob pressão do empresariado, Porto Alegre ainda tenta evitar o lock down ou fechamento total da cidade. O isolamento social, segundo medição da prefeitura, está em 52%, insatisfatório para os padrões recomendados de 70%. A região metropolitana é onde a rede hospitalar está mais congestionada, um pouco acima dos números da Serra e do Norte do Estado. Nesta segunda-feira, o governador Eduardo Leite (PSDB), em live, anunciou a manutenção da cidade sob a bandeira vermelha, que traduz risco elevado de contágio.

O prefeito Nélson Marchezan Jr. (PSDB) já avisou que, sem o isolamento e distanciamento social necessários, poderá apelar ao último recurso. Também proibiu a realização do clássico Gre-Nal no município, marcado para esta quarta-feira, 22, na retomada do campeonato gaúcho. Curiosamente o jogo foi transferido para Caxias do Sul onde os índices de contaminação também estão entre os mais elevados. Mas o prefeito caxiense Flávio Cassina (PTB), até agora, não vetou a partida.

“Riscos para a economia”

Com Marchezan Jr acenando com o lock down, 27 entidades empresariais de Porto Alegre assinaram um manifesto, queixando-se da suspensão de suas atividades “por um período superior a 100 dias”. Afirmam que “a manutenção de restrições tão severas às atividades produtivas, também acarreta riscos de consequências desastrosas para a economia, para a preservação e geração de empregos e, por conseguinte, da saúde e da vida”.

No monitoramento da prefeitura desta segunda-feira, três hospitais – Porto Alegre, Restinga e Santa Ana – estavam com 100% de lotação nas UTIs.  Outros três, dos maiores da capital – Clínicas, Conceição e Santa Casa – registravam percentuais entre 93,3% e 95,3% de lotação. Na tarde do mesmo dia, o balanço do governo estadual indicava um total de 6.337 casos para a capital, seguida por Passo Fundo (2.585), Caxias do Sul (2.036) e Lajeado (1.776).

Para o professor Alcides Miranda, que leciona da Faculdade de Medicina da UFRGS, houve muitos avisos, desde o final de abril. “Nós, que lidamos com Saúde Pública, alertamos que a situação atual poderia ocorrer, que a estratégia de regulação do rigor de distanciamento social, adotada pelo governo estadual, não era adequada ou suficiente”, ponderou. Notou que o sistema operava com subnotificações de casos, sem análises prospectivas de curto prazo e com protocolos de alterações (de “bandeiras”) que tendiam a não funcionar em tempo hábil para evitar sobrecargas.

“Duas a três semanas”

 Doutor em Saúde Coletiva, Miranda lembrou que, além dos problemas da própria capital, aumenta o risco de colapso por conta das cidades próximas, também sob bandeira vermelha, e sem contar com a assistência especializada que somente a rede hospitalar mais equipada de Porto Alegre pode oferecer. O que fará com que os pacientes mais graves sejam transferidos para a capital.

Quanto ao lock down, Miranda observou que, para ser eficaz em curto e médio prazo, “teria que ser rigoroso e durar pelo menos de duas a três semanas, além de ser adotado de forma mais abrangente, para além do circuito metropolitano”, dada a grande fluxo de pessoas entre a região metropolitana e o restante do Estado.

Edição: Marcelo Ferreira

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