Escolas fechadas e vidas preservadas; SINDSEPE/RS manifesta-se contrariamente à proposta de volta às aulas do governo Leite no RS

No dia 01 de Setembro, enquanto o Rio Grande do Sul atingia a marca de 127.799 casos e 3.501 óbitos pela Covid-19, segundo a própria Secretaria Estadual de Saúde (SES) naquela ocasião, o governador Eduardo Leite (PSDB), em reunião com prefeitos, veio a público propor a impiedosa volta às aulas presenciais dos ensinos público e privado, a partir do dia 08 de Setembro de 2020, alterando a proposta anterior de 31 de Agosto, já rechaçada pelas gestões municipais.

As manifestações públicas do governador sobre a volta às aulas presenciais não são nenhuma novidade para quem acompanha de perto a gestão estadual. É notável que o governo de Eduardo Leite (PSDB) tem muito mais do que algumas pequenas semelhanças em relação ao governo de Jair Messias Bolsonaro (Sem Partido). Na prática, Leite aplica aqui a mesma política econômica e social que o genocida assumido de Brasília, o que o diferencia apenas é o verniz de moderação com o qual o governador gosta de se acobertar.

O governo do estado também procura esconder, sob o desleixado modelo de distanciamento controlado, que simplesmente parou de contar os resultados de testes moleculares (RT-PCR) para a definição das cores das bandeiras e agora é compartilhado também com as gestões municipais, uma equivocada e delinquente política sanitária de combate à pandemia.

Com o Estado do Rio Grande do Sul batendo a triste marca de mais de 137.217 infectados e 3.650 óbitos pela Covid-19 nesta sexta-feira (04), retornar às salas de aula agora seria a implementação pura e simples do aspecto mais desumano de todas essa precária política sanitária. Reabrir as escolas durante a maior epidemia mundial, desde a Gripe Espanhola, possibilitaria a infecção entre crianças e adultos, funcionários e funcionárias, ou pior, o transporte do vírus das salas de aula para os domicílios dos estudantes. Segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto de Comunicação e Informação em Saúde, da Fiocruz, 5,4 milhões de idosos (60 anos ou mais) no Brasil convivem em casa com pelo menos um menor ou uma menor em idade escolar. O risco de contaminação, portanto, é altíssimo!

Não obstante ao querer provocar tamanha exposição diárias de crianças, adultos e idosos, as condições oferecidas pelo governo do estado para a realização da reabertura das escolas são extremamente precárias, inclusive, já eram assim mesmo antes da pandemia.

O Governo do Estado não oferece testagens, nem equipamentos de proteção individual (EPI’S) adequados e em número suficientes para os(as) servidores(as) da área da saúde, então, imagine como vai ofertar para os educadores, educadoras e estudantes? Somado a isto, não atende também a demanda das direções escolares que já solicitaram desinfecção de ambientes estudantis comprovadamente infectados pela Covid-19.

Para corroborar ainda mais a tese de que a volta às aulas é uma medida hedionda em meio à estas condições, de acordo com a Rede de Pesquisa Solidária, que coletou os números de testes de Covid-19 informados por cada estado semanalmente até Julho em todo o Brasil, o Rio Grande do Sul foi um dos estados que menos realizou as testagens de RT-PCR (genético) ou teste rápido (sorológico) na população, amargando assim o vigésimo lugar na tabela nacional. Segundo um outro estudo de modelagem publicado pelo UniversityCollege London, a reabertura das escolas exigiria, no mínimo, uma estratégia combinada de alta cobertura em testagem, rastreamento de casos de coronavírus e isolamento social. Sem o número ideal de testes, que seria na taxa de 59 a 87% nas pessoas sintomáticas, é possível que surja uma segunda onda de infecções com aumento trágico no número de óbitos.

Reabrir escolas em meio à pandemia da Covid-19, além disso, é uma ideia já testada e abandonada por diversos países ao redor do mundo. No Tenesse, nos Estados Unidos, por exemplo, depois que a volta às aulas completou um total de dez dias, o número de casos de coronavírus em crianças aumentou em um terço. Em 18 de Julho, eram 6.827 casos em crianças, em 28 de Julho chegou a 9085.

É preciso dar um basta às iniciativas genocidas de Eduardo Leite e Bolsonaro! Não é possível buscar o lucro acima das vidas. Não aceitaremos o sacrifício de crianças, trabalhadores(as) e idosos(as) no nosso estado!

ESCOLAS FECHADAS, VIDAS PRESERVADAS!

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