Grito dos Excluídos e das Excluídas volta às ruas de todo o país no próximo 7 de setembro

Em Porto Alegre, a concentração será a partir das 9h na frente da Igreja São José do Murialdo, no bairro Partenon.

No ano que marca o bicentenário da Independência do Brasil, o Grito dos Excluídos e das Excluídas volta às ruas de todo o país para denunciar desigualdades estruturais. Com o lema “Brasil, 200 anos de (In)dependência. Para quem?”, movimentos populares, grupos da sociedade civil e ordens religiosas se reunirão na próxima quarta-feira (7) contra as mais variadas formas de exclusão. Em Porto Alegre, a concentração inicia às 9h na frente da Igreja São José do Murialdo, localizada na rua Vidal de Negreiros, nº 550, no bairro Partenon. 

Desde 1995, o movimento faz do 7 de setembro um dia representativo da luta daqueles que foram invisibilizados no processo de construção da soberania nacional. Um dos objetivos é contrapor o protagonismo dado aos militares nas celebrações que cercam a data. Contrariando essa narrativa e em paralelo ao desfile cívico-militar, o Grito destaca as trajetórias de homens e mulheres que participam ativamente na construção de um Brasil soberano, mais justo e igualitário. Na edição de 2022, o movimento protestará também contra as negligências do governo Bolsonaro.

Na tarde desta segunda-feira (5), uma coletiva de imprensa com a coordenação regional da 28ª edição do Grito dos Excluídos e das Excluídas foi realizada no Armazém do Campo de Porto Alegre. 

Grito dos Excluídos e das Excluídas completa 28 anos de luta por justiça social

“Neste 28º Grito, estamos trazendo o grito dos 33 milhões de brasileiros e brasileiras que passam fome, das mães que não têm o que colocar na mesa dos seus filhos, sendo o Brasil um país produtor e exportador de alimento. Queremos trazer o grito dos sem teto, dos trabalhadores, das famílias das vítimas da covid-19, dos povos originários, do povo negro…”, afirmou Roseli Pereira Dias, representante da Cáritas RS. Na ocasião, Roseli leu um trecho da carta divulgada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) ao povo brasileiro.

“Ao comemorarmos o bicentenário da Independência do Brasil, é fundamental ter presente que somos uma nação marcada por riquezas e potencialidades, contudo, carente de um projeto de desenvolvimento humano, integral e sustentável. Vítimas de uma economia que mata, celebramos as conquistas desses 200 anos de independência conscientes de que condições de vida digna para todos ainda constituem um grande desafio. É necessário o compromisso autêntico com a verdade, com a promoção de políticas de Estado capazes de contribuir de forma efetiva para a diminuição das desigualdades, a superação da violência e a ampliação do acesso a teto, trabalho e terra.” 

Leia a íntegra da carta 

Para Angela Comunal, da Associação de Mulheres Maria da Glória, o Grito será um espaço importante para reivindicar políticas públicas de segurança alimentar. “Nós vamos no Grito falar que as mulheres, que a população está com fome. E que é necessário que tenha uma política voltada para essa população que não têm outro jeito de comer a não ser solidariamente. Inclusive nós vamos, com apoio de parceiros, fazer marmitas para compartilhar no ato. É muito importante que esse grito seja no Partenon, nessa periferia que sofre tanto com a falta de políticas públicas”, comentou. Formada por 22 voluntárias, a Associação de Mulheres Maria da Glória possui sua própria cozinha comunitária, localizada no Morro da Cruz, na Zona Leste de Porto Alegre. 

De acordo com Antônio Guntzel, representante das Centrais Sindicais, o Grito se manifestará mais uma vez por melhores condições de trabalho. “Estaremos participando porque precisamos acabar com a PEC 95, com a terceirização… Nós precisamos da revogação da reforma trabalhista e também da reforma previdenciária. Todos esses quatro itens foram ‘vendidos’ para a população como geradores de emprego e distribuição de renda. E isso não é verdade, então nós precisamos gritar e muito.” Ele acrescentou que também será reivindicada a aplicação do piso salarial para a enfermagem. 

Conforme os organizadores, é essencial a participação dos jovens para unificar a luta. Nesse sentido, Victor Lisboa, do Levante Popular da Juventude, comentou: “Se a gente contribuir com essas lutas importantes, a gente vai ser ouvido. É a nossa juventude que está passando fome, que está nas esquinas, entrando para o tráfico para poder comer. É importante a participação da juventude para que a gente possa falar sobre os nossos direitos.”

Desde o início do Grito dos Excluídos e das Excluídas, o combate à fome sempre esteve no centro do debate. E, após 28 anos de luta, o acesso regular e permanente a alimentos de qualidade e em quantidade suficiente continua a ser reivindicado. “O Grito é o grito das trabalhadoras e trabalhadores do campo e da cidade. O povo grita porque o povo quer comer. Então o Grito será o momento que as trabalhadoras e trabalhadores vão sair dizendo: ‘basta de tanto retrocesso’. É inaceitável que 33 milhões de pessoas passem fome no país com maior biodiversidade de alimentos no mundo”, avaliou Gerônimo Pereira da Silva (Xiru), integrante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra do (MST).

Liderança do Coletivo Feminista Outras Amélias, Helena Fagundes ressaltou que o Grito dos Excluídos e das Excluídas também se compromete com a luta das mães que perderam seus filhos por violência policial, fazendo referência ao caso recente do jovem assassinado em São Gabriel com golpe na região cervical por brigadianos. “Como mãe e moradora de periferia, meu coração sangra ao ver nossos filhos sendo tirados por uma polícia fascista, racista, com tanto ódio. Então, no dia 7, vamos dizer que as mulheres, principalmente nós, mulheres negras, não aguentamos mais pagar essa conta'”, concluiu.

Roteiro do Grito em Porto Alegre

Concentração e 1º Grito: Pela democracia (Em frente à Igreja São José do Murialdo);

1ª Parada: Grito pela saúde (Em frente à Unidade de Saúde Santo Alfredo);

2ª Parada: Grito antirracista (Em Frente ao Carrefour);

3ª Parada: Grito pelo direito à água (Em Frente ao Departamento Municipal de Água e Esgotos – Dmae);

4ª Parada: Grito pela educação (Em Frente à Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS);

Encerramento e último Grito: Contra a fome: (Na Praça Francisco Alves).

Foto: Carolina Lima

Fonte: Brasil de Fato

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