Novembro Negro: Angela Davis, Thomas Sankara, Carolina Maria de Jesus e João Cândido – “Que a luta dess@s guerreir@s nos inspire todos os dias!”

Angela Davis 

Marxista, ex-militante dos “Panteras Negras”, escritora e ativista pelos direitos d@s negr@s e das mulheres, Angela Yvone Davis nasceu no dia 26 de janeiro de 1944, na cidade de Birmingham, Alabama, nos Estados Unidos.

Ela vivenciou desde cedo o racismo através da política de segregação racial e das ações brutais da Ku Klux Klan.

Em 1969, por suas ligações com o Partido Comunista e com os “Panteras Negras”, Angela foi demitida da Universidade da Califórnia, onde lecionava Filosofia. Em 1970, a perseguição contra ela se intensificou. E, ao lutar contra a prisão de negros nos Estados Unidos, a filósofa foi incluída na lista dos dez criminosos mais procurados pelo FBI, acusada de conspiração, sequestro e homicídio.

Em outubro de 1970 Davis foi presa em Nova Iorque. O seu julgamento durou 18 meses. Uma grande campanha por sua libertação reuniu ativistas, artistas e intelectuais.

Os intensos 18 meses de cárcere e julgamento terminaram com a inocência de Angela comprovada no tribunal e a sua consequente libertação.

Após o cárcere, Angela Davis tornou-se uma professora de Filosofia e História com imenso destaque em várias universidades prestigiadas nos Estados Unidos. É autora de livros aclamados, como ‘Mulheres, Raça e Classe’, ‘Mulheres, Cultura e Política’, e ‘Estarão as Prisões Obsoletas?’

Thomas Sankara

Em 1983, por meio de uma rebelião popular, o jovem capitão do exército, na época com apenas 34 anos, Thomas Sankara, passou a comandar o país Alto Volta e o rebatizou como Burkina Faso, a Terra dos Homens Íntegros.

Sankara era um homem alegre. Era anti-imperialista e marxista por formação. Uma de suas primeiras ações ao assumir a liderança do país foi incentivar a criação dos Comitês de Defesa da Revolução (CDR). Aqui se inicia uma das mais importantes experiências revolucionárias da África.

Thomas Sankara foi um líder revolucionário à frente do seu tempo, que sempre se preocupou e instituiu diversas políticas pelo meio ambiente e em defesa dos direitos das mulheres.

Infelizmente, em 15 de outubro de 1987, Sankara e mais 12 companheiros foram brutalmente assassinados por ordem de Compaoré, o seu camarada mais antigo. Ele acreditava que o anti-imperialismo de Sankara estava avançado demais. O povo de Burkina Faso se levantou contra o assassinato de seu presidente, mas Compaoré reprimiu com mão de ferro e implantou uma cruel ditadura que durou 27 anos, até 2014, quando protestos das massas derrubaram seu regime.

Que a luta de Thomas Sankara inspire a tod@s nós, pois não há real libertação do povo negro, e dos demais setores oprimidos, sob as garras do capitalismo.

“A revolução é a felicidade. Sem a felicidade não podemos falar de sucesso.” (Thomas Sankara)

Carolina Maria de Jesus

Carolina Maria de Jesus nasceu na cidade de Sacramento (MG) em 14 de março de 1914. Bitita como era chamada pelos seus parentes, era uma criança diferente das crianças da época, pois, desde pequena, era muito astuta e curiosa.

Semianalfabeta, frequentou apenas dois anos da escola primária, período esse que despertou o seu gosto pela leitura.

Carolina passou boa parte da sua juventude em Sacramento com a sua mãe. Anos depois, muda-se para São Paulo (SP). Passa por várias situações difíceis na sua busca para se tonar uma escritora, sem sucesso, acaba indo morar na favela do Canindé, onde escreve a sua obra mais famosa e, com a ajuda do jornalista Audálio Dantas, lança o seu primeiro livro – “Quarto de Despejo: Diário de Uma Favelada”.

Ainda  em vida, consegue publicar outros livros, “Casa de Alvenaria: Diário de Uma Ex-Favelada”, onde Carolina narra a sua vida pós-lançamento de “Quarto de despejo” e mais duas obras: “Pedaços da Fome” (1963) e “Provérbios” (1963).

Outras obras póstumas foram publicadas: “Diário de Bitita”, publicado primeiro na França, em 1982, e no Brasil, em 1986; “Meu Estranho Diário” (1996); “Antologia Pessoal” (1996), “Onde Estaes Felicidade?” (2014); e “Meu Sonho É Escrever – Contos Inéditos e Outros Escritos” (2018).

Carolina morreu em 13 de fevereiro de 1977 em decorrência do agravamento dos sintomas da asma. É considerada um dos expoentes da Literatura Negra do Brasil.

João Cândido

João Cândido Felisberto, também conhecido como “Almirante Negro”, nasceu em Encruzilhada do Sul, no dia 24 de junho de 1880, e morreu no Rio de Janeiro, no dia 6 de dezembro de 1969. Militar da Marinha de Guerra do Brasil, João Cândido liderou a Revolta da Chibata, em 1910. Teve uma carreira extensa de viagens pelo Brasil e por vários países nos 15 anos em que esteve na ativa da Marinha de Guerra.

Em 1909, João Cândido, na Grã-Bretanha, conheceu o movimento realizado pelos marinheiros russos em 1905, reivindicando melhores condições de trabalho e alimentação, na conhecida revolta do Encouraçado Potemkin.

O uso da chibata como castigo na Marinha brasileira já havia sido abolido através do decreto número 3, de 16 de novembro de 1889. Todavia, o castigo continuava sendo aplicado. Num contingente de 90% de negros, centenas de marujos continuavam a ter seus corpos retalhados pela chibata. Os marinheiros iniciaram um movimento com vistas a tomar uma atitude mais efetiva para acabar com a chibata na Marinha de Guerra do Brasil.

Esgotadas as tentativas pacíficas contra o fim dos castigos físicos, os marinheiros decidiram que iriam fazer uma sublevação, uma revolta pelo fim do uso da chibata em 25 de novembro, mas a punição de  Marcelino Rodrigues de Menezes foi punido, com 250 chibatadas, antecipou a revolta para 22 de novembro.

Ao assumir o comando de toda a esquadra revoltada, João Cândido controla o motim, faz cessar as mortes, e pleiteia a abolição dos castigos físicos na Marinha de Guerra Brasileira. Por quatro dias, os navios Minas Gerais, São Paulo, Bahia e Deodoro apontaram canhões para a Capital Federal.

A rebelião terminou com o compromisso do governo em acabar com o emprego da chibata e de conceder anistia aos revoltosos. Entretanto, o governo promulgou em 28 de novembro um decreto permitindo a expulsão de marinheiros que representassem risco, uma traição do texto da lei de anistia aprovada no dia 25 pelo Senado da República e sancionada pelo presidente.

Expulso da Marinha sob falsas acusações, João Cândido foi preso em 13 de dezembro de 1910 no quartel do exército, e, posteriormente, transferido para uma masmorra na Ilha das Cobras, onde 16 de seus 17 companheiros de cela morreram asfixiados. Banido da Marinha, João Cândido sofreu grandes privações, vivendo precariamente, trabalhando como estivador e descarregando peixes no centro do Rio de Janeiro.

Discriminado e perseguido pela Marinha até o final da sua vida, recolheu-se no município de São João de Meriti, de onde saiu para morrer de câncer, na cidade do Rio de Janeiro, no dia 6 de dezembro de 1969, aos 89 anos de idade.

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