Outubro Rosa: Defender o SUS é garantir a manutenção da vida

O investimento na atenção básica, que é quem realiza a prevenção e a educação permanente, é fundamental para prevenir o câncer de mama

Mês de outubro é tempo de alertar a sociedade brasileira e internacional sobre a importância do diagnóstico precoce do câncer de mama. O neoplasma (CID 10 – C50) é um tumor maligno que se desenvolve como consequência de alterações genéticas em alguns conjuntos de células da mama, que passam a se dividir descontroladamente e podem levar a óbito. Essas alterações podem ocorrer também em homens, mas é muito mais raro, representando menos de 1% do total de casos da doença. 

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o tumor maligno localizado na mama é o que mais mata mulheres em todo o mundo e corresponde por 22% dos novos tipos de casos de câncer no Brasil a cada ano. Ainda segundo o instituto, só no Rio Grande do Sul, 5.210 novos casos da neoplasia serão diagnosticados até o final de 2020. Em Porto Alegre, por exemplo, em uma amostragem de 100 mil pessoas, 147 delas serão atingidas pela doença.

Segundo a Secretaria Estadual de Saúde do Rio Grande do Sul (SES/RS), o estado gaúcho está em terceiro lugar no ranking de detecção de neoplasias na mama entre todas as Unidades da Federação (UF), ficando atrás apenas dos estados de São Paulo e Minas Gerais: a cada cem mil mulheres em termos absolutos, surgem 5.050 novos casos de câncer de mama no RS. 

A SES-RS demonstra ainda que a mortalidade no Rio Grande do Sul mantém-se alta e com curva em ascendência. Para diminuirmos este número tão elevado, é necessário ressaltar que o controle do câncer de mama tem como componentes fundamentais: a detecção precoce por meio da estratégia de conscientização da mulher, o que aumenta as chances do tratamento, e o rastreamento mamográfico por parte dos profissionais de saúde. 

No Brasil, o acesso é gratuito a todas as etapas: diagnóstico, estadiamento e, por fim, tratamento (incluindo medicamentos e exames), é universal, ou seja, é para todas as mulheres independente de classe social. Isso só é possível graças ao Sistema Único de Saúde (SUS), direito constitucional, conquistado após a redemocratização e com a Constituição Federal de 1988. 

Quanto mais cedo o diagnóstico do câncer, melhor. Segundo o Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente, da FioCruz, quando descoberto logo no início, há 95% de chance de cura. A atenção primária, realizada nas unidades básicas de saúde, avalia os sintomas e realiza o encaminhamento da paciente para a averiguação, a média complexidade realiza a confirmação ou não da neoplasia, ou seja, o diagnóstico através de biópsia e, por fim, a alta complexidade é responsável pelo tratamento final do câncer feminino. 

No que se refere às ações afirmativas destinadas a controlar a incidência deste câncer feminino, o consenso científico é de que há necessidade de qualificar os trabalhadores e trabalhadoras das equipes de atenção básica, ou seja, os servidores e servidoras da saúde, para que possam realizar um melhor atendimento da população. Outra medida essencial é o aumento da oferta de mamografias, método mais efetivo para detecção precoce, por parte dos órgãos públicos e, por fim, o incremento da educação em saúde junto às mulheres, para que elas mesmas possam realizar o autoexame das mamas. Para isto, as pesquisas na área recomendam que a Política Nacional de Educação Permanente em Saúde (PNEPS) seja instalada em todo o país, visando a difusão de campanhas de educação para as mulheres e os profissionais da atenção básica, através de cursos de capacitação.

É preciso lutar em defesa da saúde da mulher, do serviço público como um todo e do Sistema Único de Saúde (SUS). Só assim conseguiremos reverter a situação do quadro gaúcho. Mulheres, quanto antes o diagnóstico, melhor!

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