Para servidores, só a luta vai impedir que Bolsonaro, Leite e Melo acabem com o serviço publico

No Dia do Servidor Público, servidores das três esferas protestaram em Porto Alegre contra retrocessos em curso no país

O Dia do Servidor Público, comemorado nesta quinta-feira (28), foi de luta em todo o país. Em Porto Alegre, servidores públicos das esferas federal, estadual e municipal, centrais sindicais, sindicatos, parlamentares e apoiadores realizaram uma manifestação denunciando os ataques ao funcionalismo e o desmonte dos serviços públicos em curso no Brasil. Durante a tarde, trabalhadores federais e estaduais se reuniram em frente ao Palácio Piratini, sede do governo estadual, onde expuseram suas reivindicações em um carro de som. Depois seguiram em caminhada até o Paço Municipal, onde se somaram aos municipários.

Afirmando que os ataques vêm de todas as esferas, os manifestantes pediram fora Bolsonaro e fora Leite, que cortam direitos dos trabalhadores, e criticaram também a gestão de Melo na Prefeitura de Porto Alegre. Destaque para a indignação dos trabalhadores com relação à reforma administrativa, a PEC 32, proposta pelo governo federal. Segundo os servidores, a proposta traz mudanças que não mexem em privilégios e, pelo contrário, ameaçam o futuro dos serviços prestados à população.

A presidenta do Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul (CPERS Sindicato), Helenir Aguiar Schürer, enfatizou que o dia não é de luto, e sim de luta. Mesmo com o presidente Bolsonaro oferecendo R$ 20 milhões a cada deputado em emendas suplementares, disse ela, ainda assim ele não conseguiu os 308 votos necessários para aprovar a reforma administrativa. “Se depender de nós, não vai conseguir. Continuaremos nas ruas até que essa PEC seja reprovada”, pontuou.

“Temos que pensar em um novo projeto para o Brasil”


Dirigentes sindicais e parlamentares se manifestaram em carro de som / Foto: Caco Argemi

Segundo a dirigente, Eduardo Leite (PSDB) e Bolsonaro (sem partido) são iguais no tocante à política econômica que retira direitos, assim como o prefeito Sebastião Melo (MDB). “O que estamos passando é consequência de erro de voto. Não podemos aceitar com naturalidade o ponto em que chegamos, como por exemplo as pessoas em Fortaleza assaltando caminhão de lixo para poder pegar comida. Quem defende estado mínimo, quem defende privatização, quem ataca saúde, educação, tem um projeto que não cabe para os trabalhadores. Temos que pensar em um novo projeto para o Brasil, para o estado e Porto Alegre.”

“Mesmo nesse cenário de ataques e precarização dos serviços públicos, e desmonte das estruturas públicas, esse dia tem que ser comemorado e também servir de reflexão”, afirmou o coordenador-geral do Sindicato dos Servidores da Justiça do Estado do RS (Sindjus-RS), Fabiano Zalazar. “Precisamos renovar nossos deputados federais e estaduais na eleição do ano que vem, porque é essa classe política junto com os governadores, prefeitos e com esse presidente genocida que está atualmente com o destino da população brasileira em suas mãos”, completou.

Serviços públicos estão sob ataque

Diretor de Relações Sindicais da ADUFRGS-Sindical, Jairo Bolter também chamou atenção para a destruição dos serviços públicos. Ele contou que o sindicato recebeu uma manifestação dos professores da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS) indignados com uma atitude que veio do governo estadual, que na sua avaliação está destruindo a Universidade. “O secretário do desenvolvimento econômico já manifestou inclusive que se fosse por ele fecharia a Universidade Estadual, e o que nos pegou de surpresa ontem foi um edital para professores voluntários para nossa Universidade Estadual, sem salário e sem ajuda de custo.”

“Precisamos dizer sim à valorização da educação e dizer sim a valorização dos profissionais da educação. Tudo que está sendo colocado diante do movimento político que estamos vivendo é sim a destruição dos serviços públicos e dos servidores públicos, não podemos compactuar”, completou.

Luta sindical e social contra a corrente fascista

Presidente do Sindicaixa e do membro do Fórum Pelos Direitos e Liberdades Democráticas, Érico Correa destacou a importância de prestar solidariedade aos servidores públicos e ao povo “desse país onde mais de 120 milhões de pessoas vivem situação de insegurança alimentar”. Ele fez duras críticas ao presidente, “um psicopata que a cada dia inventa e mais mentiras para combater a vacina, a ciência, para tentar tornar esse país um caos, polarizado”.

Para ele, “a corrente fascista dirigida por Bolsonaro está perdendo espaço” graças à luta de muitos sindicatos combativos e muitos lutadores sociais que encararam o desafio de enfrentar o atual momento para sair às ruas e chamar o fora Bolsonaro. “Aqui no RS é importante a unidade de todos para enfrentar a política de Eduardo Leite que está vendendo o nosso estado órgão após órgão”, complementou.

Leite faz no estado o que Bolsonaro faz no país


Contrariedade à reforma administrativa e impeachment de Bolsonaro unem servidores pelo futuro do serviço público no país / Foto: Jorge Leão

Presidenta do Sindicato dos Servidores Públicos do RS (SINDSEPE/RS), Diva Luciana da Costa conclamou à união para combater os retrocessos. “Os servidores e servidoras públicos e públicas que garantem serviço de saúde, assistência e educação aqui no estado estão com sete anos de salários atrasados e muitos desses recebem vencimentos básicos inferiores ao salário mínimo. Dentre eles muitos trabalhadores da saúde”, afirmou.

“Além disso, Eduardo Leite tem confiscado o salário dos aposentados, graças à reforma da Previdência do Bolsonaro que ele implementou aqui no estado”, disse. Diva pontuou ainda que o governador gaúcho já aprovou no RS praticamente todo o conteúdo da reforma administrativa proposta pelo presidente. “Mas a PEC 32 vem devastar ainda mais o serviço público e atacar as carreiras dos servidores e seus direitos, pois vai prever a privatização do que ainda resta”, completou.

O presidente da Central Única dos Trabalhadores do RS (CUT-RS), Amarildo Cenci, também criticou a retirada de direitos das políticas neoliberais do presidente Jair Bolsonaro e também do governador Eduardo Leite. Segundo ele, querem “desconstitucionalizar direitos através da entrega dos serviços públicos à iniciativa privada e a entrega de serviços públicos para empresários que vão subempregar trabalhadores”.


Política de Eduardo Leite que retira direitos dos trabalhadores e entrega o patrimônio público à iniciativa privada recebeu fortes críticas durante o ato / Foto: Katia Marko

A deputada Luciana Genro (PSOL) defendeu que não se pode aceitar a lógica de que os servidores são responsáveis pela crise financeira do estado e do país. “Sabemos que isso não é verdade. Eduardo Leite tem massacrado os servidores, os educadores, trabalhadores da saúde. Ao mesmo tempo temos um governo genocida. A CPI mostrou que Bolsonaro cometeu crimes contra a humanidade. Ele é o responsável pelas mortes de mais de 600 mil brasileiros”, criticou.

“Bolsonaro, Leite e Melo estão entregando todas as nossas riquezas”

A deputada deputada Sofia Cavedon (PT) também destacou a importância da luta contínua contra a destruição dos direitos do funcionalismo e dos serviços públicos. “Esse país está sendo saqueado. Bolsonaro, Leite e Melo estão entregando todas as nossas riquezas, e a maior riqueza que temos é a força dos homens e mulheres que fazem a educação, a saúde, a assistência social, que fazem a gestão do Estado público”, afirmou.

Também subiram ao carro de som em frente ao Palácio Piratini dirigentes de diversos outros sindicatos e centrais sindicais, além de vereadores e deputados. Em seguida o grupo desceu a avenida Borges de Medeiros, em direção ao Paço Municipal, dialogando com a população sobre a importância do serviço público.


Manifestação encerrou em frente à Prefeitura de Porto Alegre, onde municipários cobraram seus direitos / Foto: Jorge Leão

Em frente à prefeitura, os manifestantes cantaram um parabéns à categoria para marcar o dia de luta contra a reforma administrativa e pelo fim dos governos que atacam os trabalhadores. Em seguida, o diretor geral do Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa), João Ezequiel, saudou a unidade dos servidores federais estaduais e municipais. “É só assim que nós vamos vencer esses governos nefastos e esta PEC 32, que é a PEC da bandalheira, da corrupção, da rachadinha e do apadrinhamento”, arrematou.


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Edição: Katia Marko

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