Servidores(as) do Instituto Psiquiátrico Forense (IPF) realizam ato por melhores condições de trabalho e denunciam déficit no quadro da instituição

Na manhã desta sexta-feira (21), às 8h, servidores e servidoras do quadro geral da saúde e do sistema penitenciário, do Instituto Psiquiátrico Forense – Dr Maurício Cardoso (IPF), realizaram um ato em frente à casa prisional, no bairro Partenon, para denunciar o déficit no quadro de pessoal, as precárias condições de trabalho e as promoções atrasadas dos trabalhadores. Com cartazes, faixas e bandeiras, os trabalhadores e trabalhadoras fecharam metade de uma das vias da Avenida Bento Gonçalves, nº 2850, e receberam o apoio de setores da sociedade civil que transitavam pelo local.

Entre as irregularidades apontadas pelos sindicatos está o fato de que a instituição conta com apenas dois médicos, dois técnicos e um enfermeiro para atender 190 pacientes. Auxiliares de enfermagem, por exemplo, responsáveis pela vida dos pacientes tanto no âmbito criminal quanto no âmbito civil, se revezam em plantões de 24h e realizam expediente das 7h às 7h da manhã, em ambiente insalubre e com alta periculosidade, adicional que não é pago a estes profissionais. Após passar ainda por inúmeras vistorias anteriores, a casa registrou exorbitantes irregularidades em sua estrutura de funcionamento (celas que chovem, ausência de ambulância, viaturas em péssimas condições), mas nada ainda foi resolvido. Para piorar, com o incêndio do prédio da Secretaria de Segurança Pública, a SUSEPE transferiu para o prédio do IPF a corregedoria, transporte e informática da superintendência.

O vice-presidente do Sindicato dos Servidores Públicos do Rio Grande do Sul (SINDSEPE/RS), Rogério Viana, confirma a convergência das reivindicações dos trabalhadores do IPF durante o ato. “Hoje nós unificamos os anseios dos servidores do Instituto Psiquiátrico Forense (IPF), pois a luta é a mesma. É por melhores condições de trabalho, é pelo reconhecimento do servidor, que está há oito anos sem reposição inflacionária, é para denunciar as condições insalubres”. Viana ainda destacou o descaso das prometidas promoções. “Desde 2018, as promoções estão atrasadas por um erro técnico do Estado, que já foi confirmado pela própria Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG). Eles [governo] só enrolam os trabalhadores, eles só fazem é postergar essas promoções”, disse.

Débora Ribas, servidora pública do quadro geral da saúde, também caracterizou o ato e denunciou as condições de trabalho. “Estamos aqui para revitalizar nossas vidas e o próprio IPF. Vivemos a negligência do Estado com a própria instituição, aqui a doença mental é persistente e exige pessoas qualificadas. A nossa mão de obra é qualificada, mas está em falta.” De acordo com Débora, os profissionais da casa atendem pacientes com personalidades e níveis de adoecimento mental muito diferentes, sem um quadro ideal de trabalhadores da segurança, médicos e enfermeiros. “Governador, estamos trabalhando sozinhos e tendo responsabilidades que não são da nossa alçada. O governo estadual, a superintendência, eles têm que ter um olhar para essa casa prisional. Esta que é uma instituição única, mantida por delitos que nenhum presídio aceita, que se referem a doença mental”, concluiu.

Fotos: Iury Casartelli

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