Sindsepe-RS e Sindicaixa lançam campanha salarial unificada

Servidores e servidoras estaduais reivindicam aumento de 45% para repor da inflação de sete últimos anos sem reajuste

Campanha Salarial Unificada do Sindicato dos Servidores Públicos (Sindsepe-RS) e Sindicato dos Servidores da Caixa Econômica Estadual (Sindicaixa) será lançada nesta quarta-feira, dia 18, com a entrega da pauta de reivindicações ao Governo Leite, denúncia do arrocho salarial e defesa dos serviços públicos. Entre as reivindicações aprovadas em assembleia unificada no último dia 12, está a reposição de 45% de perdas acumuladas em sete anos sem reajuste salarial.

Durante live realizada nesta segunda-feira, dia 18, o supervisor do DIEESE, Ricardo Franzoi, apresentou um panorama da economia do Rio Grande do Sul e as consequências do pior arrocho salarial da história do Estado. Sete anos sem reajuste, que já consumiram quase a metade do salário dos servidores.

Franzoi destacou que, no período do congelamento, o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor INPC) foi de 44%, enquanto a cesta básica ficou 85,9% mais cara, o preço do gás de cozinha subiu 99,3%, o do combustível, 96,3% e a tarifa de ônibus, 54%.

A situação deve ficar ainda pior nos próximos meses, segundo Franzoi. “A tendência é a inflação não diminuir, ou seja, as perdas vão continuar muito pesadas para os servidores. Os últimos 12 meses foram de alta e os produtos básicos já consomem 2/3 do salário-mínimo”, destacou.

Reformas prejudicaram trabalhadores

Franzoi explicou que a Reforma da Previdência também contribuiu para a defasagem salarial, principalmente dos aposentados e pensionistas. As reformas implementadas pelos governos federal e estadual aumentaram as alíquotas de contribuição e começaram a taxar aposentados e pensionistas, que tiveram perdas equivalentes a um salário por ano.

Para o economista, é preciso dar atenção a outra reforma que se apresenta: a tributária. “A gente ainda pode lutar e pode tentar interferir nessa questão da reforma tributária, porque possivelmente, como a gente viu no ano passado, a pressão da classe dominante vai ser muito grande e vai sobrar para os assalariados, principalmente de baixa renda”, pontuou, lembrando que outros projetos, como a PEC do Teto, também devem entrar em discussão ainda este ano.  

Política de Estado mínimo

A política de redução do Estado, aplicada tanto pelo governo estadual quanto pelo governo federal, é outro ponto importante na manutenção do congelamento dos salários, de acordo com o economista. Ela implica na diminuição dos salários dos servidores e no sucateamento do serviço público.

No Rio Grande do Sul, as conceções fiscais às grandes empresas reduzem muito a arrecadação do Estado, o que é frequentemente usado como desculpa para não reajustar o salário do funcionalismo.

PROTESTOS

Durante a live, o presidente do Sindicaixa, Érico Corrêa, conclamou os servidores e as servidoras a participarem das manifestações desta quarta, dia 18. “Estaremos mais uma vez na praça para cobrar nossos direitos e defender os serviços públicos. É muito importante que as duas categorias se façam presentes na atividade. Como medida de segurança, todos os protocolos contra a Covid-19 serão garantidos.”

Por sua vez, Diva Costa, presidenta do Sindsepe-RS, reforçou a participação dos trabalhadores e das trabalhadoras na Campanha Salarial. “É importantíssimo que cada um e cada uma divulgue a campanha nas suas redes sociais e grupos de whatsapp, porque a gente precisa dar visibilidade a nossa luta”, enfatizou.

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